Poesia fugidia

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Minha melhor literatura

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– Nossa, você escreve?!

– Sim, inclusive, no momento, estou perdendo em vários concursos literários de língua portuguesa pelo mundo afora.

– Então é sério mesmo, hein?

– Completamente. Em off, posso te adiantar também que os meus livros estão sendo recusados pelas melhores editoras do país. Quer coisa mais poética do que um fracasso?

Entraves (literatura, essa gulosa)

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A literatura é um michê impaciente
coercitivo, quer cada vez mais
e não importa se estou gasta ou velha ou feia
no final do dia, as palavras precisam cair e molhar a mão da ganância
escrever é um relacionamento abusivo, com altas parcelas de culpas e desejos confusos
indissolúvel
escrevo, escrevo, escrevo
leio, leio e leio
a literatura pede mais
quer também os meus relicários, cacarecos e demais quinquilharias sentimentais
quer meus olhos e perturbações
as vibrações lidas e as vibrações ensaiadas
pede mais espaço materialidade
exige maior dedicação afetiva
cada livro lido, terá que ser sucedido por outros dois
a pilha de palavras não apreendidas engole meu apartamento

Literatura, essa velha senhoria viciada em crack,
pedindo adiantamentos
sempre pronta para bater em joelhos com seus tacos de golfe
se tardo na satisfação de suas vontades, é fatal
“você já foi mais dedicado”
já fui menos desesperado também
“você tem uma linda família, seria detestável se alguma coisa de ruim acontecesse com ela”
no mais das vezes, arromba a porta, vende o som, tv e cama
troca tudo por mais páginas e corre desvairada

A literatura tem um quê de perversa
em uma mão minha amarra um livro
na outra, um bloco de notas
enfia um lápis nos meus lábios e passa fita adesiva para que nada se solte
primeiro ordena que eu escreva alguma poesia, depois ordena a ler uma página do livro
e assim brinca por horas
vou ensaiando rabiscos, vou lendo
percebo, com certa ironia, que o traço do lábio é menos trêmulo do que o traço da mão
a literatura forja pretextos, diz apenas querer trabalhar nas potências dos homens
acredita que está ensinando valiosíssimas lições e continuo regozijo

Literatura esse eterno clube da luta, que não admite desertores, nem tolera delatores
Quando não, quem suplica por mais sou eu

Ímpeto criativo suicida

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A rotina monóxido-carbônica a cada respiro diminui a disponibilidade de vida insuflável
Há frestas por onde o veneno escapa incipiente
A sobrevida significa morte nos cubículos que estão ao entorno
A salvação paulatina não purifica, apenas serve de manutenção para essa tóxica situação
Milênios passam arrastados

A destruição transita entre nós
Convivemos com a podridão na mais completa harmonia
Morte insidiosa
Morte insistente
Serpenteia entre tudo no eterno fluxo de fluxos tantos
Oferece-nos a maçã desses tempos tão sombrios
Enluarando nossos sopros
Às vezes sonolentos, às vezes em desesperadas convulsões
Ávidos e inertes

Por turbulências espasmáticas
Corro desvairado
Déspota inscritor
Rabisco palavras que encontram vazão
A falta de nexo é o limite da compreensão
No tear e no desfazer de territorialidades
Abismado com o que vai se tornando
Enquanto o receio desejante segue a procura de novos abismos
Não é de todas as quedas que se sobrevive

Se perder
Se saber perdido
É a última grande via
A criatividade destrutiva é o adeus a esse mundo morto

No terceiro dia ninguém ressuscita
Cada um parte rumo à procura de si
Sem desculpas
Por querer
Em busca de um lugar onde maçãs são mordidas por desejo e não por fome
Sem culpas ou castigos

Por um amigo partido e por um tempo entrecortado (Versão definitiva. E recorrente)

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O sentimento não se transmuta
O sentimento nem sequer usa uma nova roupagem

Novos ares
Novos planos
Ainda me pego sentindo as mesmas faltas

Fico repetindo para mim mesmo que eu sou uma boa pessoa
E é tão ridículo
Eu não acredito nessa merda e quem eu queria que acreditasse não está nem aqui
Mas balbucio interminavelmente essas palavras
Despojado de amor-próprio
Desejo que ao final desse processo eu tenha me tornado essas palavras
Desejo conseguir ser ouvido

Ao menos escrevo e digo palavras com a segura certeza de que são minhas
Meu império de lixo
É meu
Contrário ao afã do momento
Engulo orgulho e álcool
Triste, mas com a sincera satisfação de ser e ser incompleto
Esfarelamentos
Constituído por outros apenas enquanto esses se circunscrevem como faltas
O algo que fica se fez do que partiu e me partiu
Com grandes perdas, resquícios são preciosos

Como você não aceitou, e eu não busquei
Sim
Mudei.

Para quem quiser ler

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As minhas mãos
com várias linhas e ressecuras
em cima do que já não é
premuniam um futuro igualmente seco

sigo condenado
tudo são desencontros: não são.

Poesia fugidia

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